Ser mulher é…

Imagina a situação, você (mulher) chega no seu trabalho e uma pessoa (homem) fala algo assim. “Nossa, como você está bonita, mas no shopping você estava com outra roupa, mais soltinha, mais leve”. Só uma outra mulher pra entender o panico interno que a gente sente, quando escuta algo assim.

A intenção do cara foi só fazer um comentário inocente, como se fosse algo tipico da conversação normal entre duas pessoas, mas pra mim, ficou subentendido que estava me espionando, ou melhor, que nós, mulheres, estamos sempre sob o escrutinio dos outros, sendo espionadas e observadas. Isso é viver num mundo machista, misógino e cruel com as mulheres.

Quando eu constato que não posso usar a roupa que eu quero (ou vou escutar o que não quero), ou quando me pego pensando na programação do dia para escolher minha roupa. Quando eu ando só de fone de ouvido na rua que é pra nao ouvir “gracinha”. Quando eu volto pra casa de Uber porque está tarde. Quando eu tenho que dizer ‘meu namorado não vai gostar’ mesmo não namorando, pros caras pararem de mandar gracinhas no whats…esse tipo de coisa me mostra que estamos num mundo muito nojento e sórdido.

Essa semana uma moça asiatica foi morta em NYC, depois de voltar pra casa de taxi (no mês passado, uma moça foi morta no metrô, então como estava tarde, a moça voltou de taxi por segurança). Mesmo assim, ela foi seguida por um maluco que entrou no apartamento dela, e a matou com mais de 40 facadas. E o criminoso ainda vai tentar alegar desequilibrio mental. Mas nao é desequilibrio, nao é doença, é racismo. Tem uma coisa muito errada na cultura ocidental, que tenta “coisificar” a mulher asiatica como um fetiche. E isso acaba prejudicando a todas n´ós, mulheres.

Eu queria poder passear no shopping sem ter a preocupação se estou sendo observada ou não. Deus, é pedir muito?

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