Ser mulher é ser desrespeitada todos os dias

Ser mulher é ser desrespeitada todos os dias

1 de maio de 2018 Blog 0
Uma coisa que me deixa muito brava é a falta de respeito que os homens tem com as mulheres. Especialmente no Brasil, é um SACO. Mulher sofre muito. Por muito tempo eu não usava as roupas que eu queria, não fazia as coisas que eu queria, não ia nos lugares que eu queria, pra não me irritar com os babacas representantes do sexo masculino. Agora, eu uso as roupas que eu quero e ando na rua com óculos escuros e ouvindo música alta, que é pra não ficar escutando os idiotas que passam falando gracinha. Algo que sinceramente, só esses primatas acham legal.
Esses dias, estava andando na Liberdade e um babaca me parou na rua e exclamou: linda, linda, MUITO LINDA. E a minha vontade de responder naquela hora: “idiota, idiota, muito idiota”. Mas na verdade, nem precisei de palavras, porque a cara de desprezo e nojo que eu fiz foi o suficiente pro babaca ver que não agradou. E em essência, eu entendi que esses estúpidos não fazem isso porque acham que a mulher vai dar bola, ou que mulher gosta de um “elogio”. Eles fazem isso para mostrar que eles podem, e que eles tem o poder de falar o que quiserem, quando quiserem, para uma mulher. É (mais) uma forma de dominação machista. E estamos à mercê disso, cotidianamente.
Eu já sofri todo tipo de assédio. Já me tocaram, já me beijaram, já se encostaram em mim, já tocaram no meu corpo sem permissão. Felizmente, não aconteceram aquelas coisas grotescas que a gente vê na TV, mas fora isso, praticamente tudo já aconteceu comigo. E como é diferente você estar num país mais avançado, como no Japão, onde absolutamente NINGUÉM te enche o saco. Na Argentina e no Chile, também não me encheram o saco. Em Gramado e Curitiba, também não, fiquei tranquila e sozinha. Mas no Rio de Janeiro e no Nordeste, pelamordedeus. Dá até preguiça mental de lembrar. 
Sei que esse tipo de atitude machista só vai mudar quando as mulheres se respeitarem também e fazerem valer seus direitos e suas opiniões. O mundo em que eu vivo é muito machista. Já cheguei a escutar que a minha presença nas reuniões é importante para “embelezar” o encontro. Não é pelo meu conhecimento, minha expertise e minha experiência de 20 anos. É porque eu sou lindinha, agradável, kawaii. Então, eu acredito que a mudança deve ser interna, e por isso trabalho bem no meio desse ambiente machista, tentando romper esses estereotipos mentais das pessoas. Uma tarefa divina, que demanda muito esforço. Mas é nossa responsabilidade trabalhar para isso!  Gambarimashou!

 

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