Não gosto que me chamem de japa

Não gosto que me chamem de japa

7 de maio de 2018 Blog 0
Fui numa aula de dança e depois teve uma atividade de integração (vulgo brincadeira idiota) em que as pessoas colavam um papelzinho na testa e precisavam descobrir quem elas eram, fazendo perguntas. Estava com o boy (nikkei), e eles colocaram escrito na testa dele “Naruto”, dando risadas altas. Eu simplesmente fiquei POSSESSA, porque achei um desrespeito absurdo, uma sacanagem, preconceito e falta de limites.
Quer dizer que só porque a gente é “japa”, então somos Jaspion, Pokemon e Naruto? Eu me pareço com uma gueixa ou faço cosplay? Sinceramente, uma pessoa que nem me conhece não tem nenhum direito de me chamar de JAPA! Porque a gente tem nome, sobrenome, história, sentimentos, e principalmente, nacionalidade brasileira!
Achei uma p%*# sacanagem terem colocado o “Naruto” pra ele, primeiro, porque afinal de contas, um desenho não é uma pessoa (como você vai adivinhar Naruto em 3 perguntas, me fala? kkk), e segundo, porque é uma brincadeira racista, já que coloca a gente como um estereotipo! 
A gente tem que viver num mundo em que colocam rótulos imbecis na gente. Eu não gosto quando falam algo do tipo “a japonesinha chegou para a consulta”. Porque não fala “A Erika chegou”? Ou “a moça bonita”, ou simplesmente “a consulta das 15h00”? 
Eu só chamo meus amigos de japa quando eu quero brincar com eles! Eu posso brincar com meu amigo falando “abre o olho, japa”, porque eu também sou nikkei, meu olho também é fechado hahaha. Afinal, não fico chamando as pessoas de alemao, espanhol, portugues, italiano, coreano, chines na rua. Então porque fazem isso com a gente? E com todos os demais asiáticos, aliás (como bem mostrado no video do Yo Ban Boo). Gente, nao é legal ter preconceito!
O mais engraçado é que naquela noite, eu estava possessa, irritada, queria levantar, ir embora e nunca mais voltar lá. E ele foi totalmente oposto: aceitou a brincadeira numa boa, não ficou bravo e ainda adotou Naruto como apelido no Uber (!!!), dando risadas. Ou seja, cada pessoa, uma interpretação e uma visão do mundo diferente. E o meu personagem? Colocaram pra mim “Maria” (mãe de Deus). Brincadeira sem graça, viu! 😉 

 

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