If I die young…

If I die young…

15 de abril de 2020 Blog 0

Ontem recebi uma mensagem no whats que simplesmente não dava pra acreditar. Como assim, a A. morreu? É impossível, ela acabou de ter alta do hospital, não acreditei. A gente tinha visto as fotos dela em casa, sorrindo, tranquila. E eu recebi a triste missão de comunicar para todos o que tinha acontecido. Estava paralisada, até agora não consigo acreditar em como tudo isso foi rápido.

O trabalho dessa amiga tão querida era um dos símbolos do Festival do Japão, e sem ela, eu não sei como será o futuro dessa área e mesmo da nossa comissão. Por que perder o F. no ano passado, de certa maneira, foi imensamente triste, mas pesou mais pra mim, que convivia com ele 99% do tempo. Os demais integrantes da comissão não conheciam ele direito. Já a A. faz parte da nossa família há 15 anos. Então eu não tenho nem palavras pra resumir a tristeza que estamos sentindo.

Liguei pra F e ela estava destruída, ficamos chorando no telefone, uma confortando a outra, porque é uma situação muito triste. Outra coisa que machuca é não termos tempo pra nos despedir dela; por causa da Covid19, só pudemos mandar uma coroa de flores, pois o velório durou apenas 1 hora e só podiam participar 10 pessoas. Gostaria muito que ela tivesse falado com a gente, avisado alguém sobre o que estava acontecendo na vida dela. Certamente teríamos feito mais. Ou talvez não, pois as coisas são como elas devem ser, né?

De qualquer forma, fica a saudade eterna de uma pessoa simples, bem humorada, dedicada, sonhadora e muito amiga. E muito jovem, muito querida e fofa comigo. Pra gente, fica a lição que somos na verdade seres muito frágeis, somos pequenininhos, somos um pozinho que se acha muito, vem um vento e te leva embora. Um dia podemos estar vivendo a nossa vida normal, e de repente, vem uma doença e muda tudo, tira tudo de você: suas certezas, seu cargo, sua conta bancária e seus títulos não fazem diferença nessa hora. Como bem disse o Flavio Augusto, com dinheiro você pode comprar uma ala inteira da UTI, mas não a alta médica.

O K por acaso é primo da A e me contou que visitou ela no hospital, e ela disse que tinha medo de partir sem ter feito diferença nesse mundo. A. com certeza, vai tranquila na sua viagem, pois você fez muita diferença no Festival, ajudou tantas pessoas por tantos anos, o quanto voce me ajudou, não dá nem pra fazer uma lista!! É porque eu sabia que você estava lá fora, que eu ficava tranquila lá dentro do pavilhão.

O Consulado mandou hoje uma mensagem de condolências, que enviei pro K e ele disse que se a A tivesse visto, ela ia ficar toda feliz e orgulhosa, tipo “aaaaaaaaah o Consulado me conhece!!”…e é isso mesmo, eu consigo imaginar ela rindo daquele jeito fofo dela, como se isso nao fosse nada, quando na verdade é tudo. A. com certeza, a sua breve existência nesse planeta trouxe muita alegria e muito bem para esse mundo. Vou pensar em você um milhão de vezes. Go with peace and love, my darling teacher.

Enfim, eu fui dormir rezando e chorando muito por tudo isso. O que eu não esperava mesmo é que eu tive nessa noite o sonho mais bonito, vívido e feliz da minha vida. A coisa que eu mais queria nesse mundo, o desejo mais intimo do meu coração que eu nunca falei pra ninguém, eu pude viver hoje, realizado plenamente no meu sonho. Acordei sentindo o gostinho da mais pura felicidade. Uma inspiração do meu anjo da guarda, talvez?? Puxa, quero tanto sonhar esse sonho novamente!! Melhor ainda, eu quero vivê-lo plenamente!

Bom, mas se de repente acontecer uma mudança de planos, algo completamente inesperado, e eu morrer amanhã, não precisa chorar. Podem ter certeza que estarei feliz, sem arrependimento nenhum, porque eu sei que cumpri bem o meu briefing aqui na Terra, aprendi, melhorei, perdoei, ajudei, inspirei, fui generosa, me esforcei, amei muito, fiz o melhor circulo de amizades do mundo, contribuí com a missão de Deus. Quero voar livre, em paz, sem arrependimentos. Como nessa musica linda da Band Perry, If I die young, send me away…to the words of a love song. Sempre com muito amor!

 

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